"Linhas retas devem ser indicativas de viagens e quando essas linhas unem-se a círculos concêntricos, devem mostrar os caminhos viajados pelos ancestrais". Fonte (legenda e imagem): http://www.aboriginalart.com.au/gallery/iconography.html

"Linhas retas devem ser indicativas de viagens e quando essas linhas unem-se a círculos concêntricos, devem mostrar os caminhos viajados pelos ancestrais". Fonte (legenda e imagem): http://www.aboriginalart.com.au/gallery/iconography.html

 

Conceitos e construções a respeito de mapas e conexões sociais em rede nunca estiveram tão em moda. Projetos como o Loca: Set To Discoverable do grupo Loca (http://www.loca-lab.org/) discutem de forma criativa e com tecnologia de ponta os significados sociais de determinadas localidades físicas. De acordo com o grupo, este projeto nos convida a questionar as redes em que vivemos e a considerar como os rastros de identidades digitais que deixamos podem ser usados para o bem ou para o mal.

Assim como o Loca, o Pigeon Blog (http://www.pigeonblog.mapyourcity.net/) é outro projeto que atua fisicamente no espaço da cidade. Este outro projeto utiliza uma tecnologia alemã que permite equipar pombas com câmeras que enviam informações em tempo-real para um servidor, alimentando um ambiente de mapeamento do Google com dados sobre a qualidade do ar. O resultado do projeto é um mapa visual sobre a poluição do ar em tempo-real que pode ser visto por todos os que acessam a internet.

Assim como estes, muitos outros projetos trabalham as relações do homem com seus espaços físicos através de tecnologias como os telefones móveis, GPS e a internet.

Uma abordagem muito mais antiga, porém sempre atual, é a percepção do espaço dos aborígenes australianos. Para estes povos, a terra é sagrada na medida em que o mundo tangível é o próprio sonho dos ancestrais, a partir do qual todos os seres na terra foram criados. A terra é o centro da inteligência da criação, um símbolo e memória do sonho primordial.

Por isso, os mitos de criação destes povos contam histórias que são designadas e lembradas pelo local onde elas ocorreram. “Cada série de estórias, assim, define um caminho através do país que conecta localidades e episódios míticos associados a elas. Estas trilhas do sonho, ou songlines, estendem-se em todas as direções, cruzando todo o continente da Austrália. Nenhum bando local, grupo de caça ou unidade de dialeto “possui” uma linha mítica completa: cada grupo “possui” apenas uma seção destes caminhos de viagem, fazendo das songlines uma rede de comunicação e troca cultural entre pessoas separadas por grandes distâncias” (Lawlor, Robert. Voices of the First Day, p. 48).

Desta forma, as estórias míticas guiam os movimentos nômades dos aborígenes, os quais aderem mais à dimensão mítica que ao conhecimento prático da caça e das estações do ano.

Este é um exemplo de conexão perfeitamente harmônica do homem com o espaço em que vive e com seus semelhantes. Estas redes que relacionam mito e espaço físico acrescentam uma camada de sentido simbolicamente lida na topografia da terra que permitiu a organização da forma como os aborígenes conduzem suas vidas por mais de 150.000 anos.



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