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Gostaria de convidar para o lançamento do livro “ARTEMÍDIA e cultura digital” do qual participei com um pequeno artigo onde faço uma reflexão sobre a leitura em rede. O evento será conjunto com a abertura do Acta Media 7 – Simpósio Internacional de Artemídia e Linguagens Digitais de 2009.

Dia: 07 de agosto
Horário: a partir das 17h
Local: Casa das Rosas
Site: http://www.poiesis.org.br/casadasrosas

conviteartemidia


"Linhas retas devem ser indicativas de viagens e quando essas linhas unem-se a círculos concêntricos, devem mostrar os caminhos viajados pelos ancestrais". Fonte (legenda e imagem): http://www.aboriginalart.com.au/gallery/iconography.html

"Linhas retas devem ser indicativas de viagens e quando essas linhas unem-se a círculos concêntricos, devem mostrar os caminhos viajados pelos ancestrais". Fonte (legenda e imagem): http://www.aboriginalart.com.au/gallery/iconography.html

 

Conceitos e construções a respeito de mapas e conexões sociais em rede nunca estiveram tão em moda. Projetos como o Loca: Set To Discoverable do grupo Loca (http://www.loca-lab.org/) discutem de forma criativa e com tecnologia de ponta os significados sociais de determinadas localidades físicas. De acordo com o grupo, este projeto nos convida a questionar as redes em que vivemos e a considerar como os rastros de identidades digitais que deixamos podem ser usados para o bem ou para o mal.

Assim como o Loca, o Pigeon Blog (http://www.pigeonblog.mapyourcity.net/) é outro projeto que atua fisicamente no espaço da cidade. Este outro projeto utiliza uma tecnologia alemã que permite equipar pombas com câmeras que enviam informações em tempo-real para um servidor, alimentando um ambiente de mapeamento do Google com dados sobre a qualidade do ar. O resultado do projeto é um mapa visual sobre a poluição do ar em tempo-real que pode ser visto por todos os que acessam a internet.

Assim como estes, muitos outros projetos trabalham as relações do homem com seus espaços físicos através de tecnologias como os telefones móveis, GPS e a internet.

Uma abordagem muito mais antiga, porém sempre atual, é a percepção do espaço dos aborígenes australianos. Para estes povos, a terra é sagrada na medida em que o mundo tangível é o próprio sonho dos ancestrais, a partir do qual todos os seres na terra foram criados. A terra é o centro da inteligência da criação, um símbolo e memória do sonho primordial.

Por isso, os mitos de criação destes povos contam histórias que são designadas e lembradas pelo local onde elas ocorreram. “Cada série de estórias, assim, define um caminho através do país que conecta localidades e episódios míticos associados a elas. Estas trilhas do sonho, ou songlines, estendem-se em todas as direções, cruzando todo o continente da Austrália. Nenhum bando local, grupo de caça ou unidade de dialeto “possui” uma linha mítica completa: cada grupo “possui” apenas uma seção destes caminhos de viagem, fazendo das songlines uma rede de comunicação e troca cultural entre pessoas separadas por grandes distâncias” (Lawlor, Robert. Voices of the First Day, p. 48).

Desta forma, as estórias míticas guiam os movimentos nômades dos aborígenes, os quais aderem mais à dimensão mítica que ao conhecimento prático da caça e das estações do ano.

Este é um exemplo de conexão perfeitamente harmônica do homem com o espaço em que vive e com seus semelhantes. Estas redes que relacionam mito e espaço físico acrescentam uma camada de sentido simbolicamente lida na topografia da terra que permitiu a organização da forma como os aborígenes conduzem suas vidas por mais de 150.000 anos.


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É com muita honra e alegria que divulgo a publicação do meu artigo “Exploring hypermedia through the myths” na revista britânica Technoetic Arts, do renomado teórico, artista e criador do The Planetary Collegium, Roy Ascott.

A Technoetic Arts – A journal of speculative research tem como objetivo apresentar novas idéias, projetos e práticas que nascem da união entre a arte, a ciência, a tecnologia e a pesquisa da consciência.

O resumo do artigo, que coloca em paralelo a hipermídia e as narrativas míticas, ambas linguagens organizadas em rede, pode ser lido no site abaixo, volume 6, issue 3: http://www.intellectbooks.co.uk/journals.php?issn=1477965X

"Um web site é como uma casa com mil portas"

"Um web site é como uma casa com mil portas"

 

 

Um texto organizado em rede como são os textos na internet não pode ser considerado como um texto contínuo. Isso ocorre porque não lemos um texto em rede ou um hipertexto como lemos, normalmente, um livro. Os textos em rede não possuem começo, meio ou fim porque podemos entrar em qualquer ponto do texto, de acordo com interesses específicos.

 

O professor e teórico da hipermídia George Landow diz que as bordas, limites e fronteiras dos documentos de hipertexto são apenas ficções porque os links e mecanismos de busca atravessam essas margens propostas pela convenção. O respeitado pesquisador de usabilidade Jakob Nielsen diz que “um web site é como uma casa com mil portas, e os visitantes podem entrar em qualquer lugar” (Prioritizing Web Usability, 2006). As estatísticas de suas pesquisas mostram que, apesar da importância da homepage, as páginas internas somam 60% das páginas iniciais das visitas a web sites. Estes visitantes chegam, em sua maioria, de páginas de resultados de busca. Daí a importância de pensarmos a disposição das informações em um web site como fragmentos interconectados que se complementam e agregam informação a todo e qualquer fragmento da mesma rede.

 

Por isso, o texto se torna mais dependente do contexto em que está inserido e, ao mesmo tempo, mais independente da linearidade e tradições do texto impresso. Tais características do texto em rede, conforme complementa Landow, permitem e encorajam o trabalho colaborativo e o acesso interdisciplinar principalmente por meio dos links.


Hora do Planeta 2009.

Já que a idéia é falar de redes, por quê não usar a internet para criar uma rede em homenagem ao mais importante aglomerado de redes para nós, seres vivos, que é nosso planeta Terra?
Participe da Hora do Planeta!


Hypertext 2009 ACM Conference

Todo ano acontece a ACM – Conferência em Hipertexto e Hipermídia, para discutir novas idéias, tendências e acontecimentos do universo dessas linguagens que possibilitam a comunicação em rede.
Este ano ela acontece na Itália e o envio de trabalhos pode ser feito até 30 de Março.

O ponto chave de discussão é o conceito de Web 3.0.  Até hoje, estamos vivendo sob os efeitos da Web 2.0, termo cunhado por Tim O’Reilly em 2005 para representar uma Web baseada principalmente na produção massiva de informação. Dentre os exemplos de ferramentas e aplicações da Web 2.0 estão a Wikipedia, os Blogs e o Flickr.

Se a Web 2.0, hoje sedimentada no mercado, enfatiza e estimula o conteúdo gerado pelos usuários através da colaboração online, a Web 3.0 ou Web Inteligente procura um melhor entendimento da informação.

Através da integração da Web Semântica com tecnologias de Inteligência Artificial, a Web 3.0 visa criar ambientes onde a informação será estruturada de maneira a possibilitar sua interpretação e legibilidade sem ambiguidades, de forma a gerar um conhecimento coletivo mais produtivo e útil.

Visite o site: Hypertext 2009 – ACM Conference on Hypertext and Hypermedia


Visual Complexity' projects
www.visualcomplexity.com

Projetos do Visual Complexity

 
Uma das principais características das mídias digitais e, principalmente, da hipermídia é a transformação que elas estão promovendo em nossa forma de organizar o pensamento e comunicá-lo. Não mais transmitimos mensagens apenas através do verbo, mas utilizamos a linguagem visual com muito mais freqüência do que antes. Estamos reaprendendo a comunicar com imagens, a ler imagens e a adquirir conhecimento com elas.


Neste contexto, muitos são os esforços mundialmente dedicados ao aprimoramento da expressão visual e simbólica das informações.Cito neste post um exemplo apenas, como uma porta de entrada a este tema, ao qual voltarei neste blog.

Trata-se do Visual Complexity, um projeto que tem como objetivo criar um espaço que reúna diversos trabalhos de visualização de redes complexas de informação. Além de encher os olhos com a beleza das imagens, muitas delas revelam informações importantes dificilmente visíveis em outros formatos. Uma das características das redes é o fato de que o todo é muito mais do que a soma das partes e onde sentidos surgem da interação entre elas. A estrutura das redes tem sido iluminada por teorias tais como a da complexidade, do caos, da emergência, entre outras.

O fato mais interessante deste projeto é mostrar trabalhos relacionados a diversas áreas, justamente porque as redes estão em todas as partes e são estruturalmente semelhantes. As imagens mostram complexas redes sociais, biológicas, artísticas, de comunicação, da World wide web, entre outras.
Vale a pena conhecer.

http://www.visualthesaurus.com/

http://www.visualthesaurus.com/

 

O homem sempre desenvolveu, desde os primórdios da comunicação, maneiras de armazenar (para posteriormente recuperar) idéias, pensamentos e estórias das comunidades e grupos dos quais fazia parte. Esta habilidade vem crescendo de maneira surpreendente e inovadora desde o desenvolvimento das tecnologias digitais e da informática. Como nos diz Lúcia Santaella, unidas à telecomunicação, tais tecnologias tornam as informações “instantaneamente disponíveis em diferentes formas para quaisquer lugares. O mundo está se tornando uma gigantesca rede de troca de informações”.

Este blog nasce com o principal objetivo de conhecer e compreender os universos organizados em rede, suas características e seus efeitos. Mas, principalmente, o objetivo último desta busca é procurar entender as redes presentes nas novas mídias que compõem a hipermídia.

Esta é um meio de comunicação, uma tecnologia da informação, um modo de publicação e, ao mesmo tempo, uma nova linguagem nascente, uma forma de escrita multilinear que mescla todas as mídias e linguagens verbais, visuais e sonoras e que é formada basicamente de blocos de informação e links que conectam estes blocos.

Em uma definição resumida, hipermídia, para Santaella, é “a integração, sem suturas, de dados, textos, imagens de todas as espécies e sons dentro de um único ambiente de informação digital”.

Bem-vindos à todos os que desejam me acompanhar nesta busca.
As ”janelas” se abrem para comentários, sugestões e diálogos.


Artista, músico, poeta, compositor, Arnaldo Antunes explora diversas linguagens simultaneamente em seus trabalhos, ficando em paralelo com as tendências das novas mídias. Seus projetos, que estão sempre vinculados de alguma maneira à palavra, utilizam elementos visuais, sonoros, poesia, animação.

“Eu acho que a arte é um território sem fronteiras, e ao mesmo tempo um território para questionar as fronteiras, derrubar muitas delas. Falamos de fronteiras entre gêneros, linguagens, mas há também fronteiras entre repertórios, entre o popular e o culto, o sofisticado e a cultura de massa. A arte põe em xeque todas elas. Em termos de circulação de informação artisticamente expressiva, eu acho que estamos em um território de liberdade, que possibilita o convívio com a diferença, o enriquecimento por meio de informações novas, de outros povos. Os campos do conhecimento vêm se hibridizando também.” (entrevista dada à Continuum, revista do Itaú Cultural de agosto de 2007).

Por trabalhar em produções híbridas de elementos sonoros, visuais e textuais e possuir certo domínio sobre o campo da música, Arnaldo Antunes participou como convidado do livro “Texturas Sonoras”, de Sérgio Bairon, onde o autor investiga a relação entre arte e ciência através de um diálogo com os processos de criação sonora presente em produções hipermidiáticas.Seu trabalho “Nome”, lançado em 1993 nos formatos dvd, cd e livro é um trabalho exemplar da hibridização característica de sua carreira e mostra o potencial para a ampliação de produção de sentido que emerge da mescla de linguagens sonoras, visuais e textuais.

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“Nome” (Arnaldo Antunes)




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